A programação começou com a palestra “Neuropsicomotricidade e desenvolvimento cognitivo: relações e implicações educacionais”, ministrada pela psicopedagoga Márcia Valéria Cruz.
O evento é organizado pelo curso de Pedagogia da instituição, coordenado pela professora Fabiane Santos Eisele Zilio, reunindo acadêmicos, professores e profissionais da educação.
Durante a palestra, Márcia Valéria Cruz explicou que a neuropsicomotricidade ganhou maior destaque com os avanços da neurociência voltados ao desenvolvimento infantil.
“A neurociência começou a entender o desenvolvimento infantil como prioridade para o desenvolvimento da pessoa humana. Não é só desenvolver a parte motora. É preciso compreender o contexto em que o sujeito vive, porque influencia o cérebro e o desenvolvimento das pessoas”, afirmou.
Desenvolvimento infantil e alfabetização
A psicopedagoga destacou que sinais relacionados a transtornos e dificuldades de aprendizagem podem aparecer ainda nos primeiros anos de vida, por meio dos chamados marcos do desenvolvimento infantil.
Segundo ela, ações simples como balbuciar, pegar objetos ou desenvolver a coordenação motora fina fazem parte do processo de preparação para a alfabetização e aprendizagem futura.
“Quando a criança chega à fase da alfabetização precisa ter desenvolvido movimentos importantes, como a tonicidade e o movimento de pinça para segurar o lápis. Muitas vezes, essas etapas não foram observadas ou estimuladas adequadamente, o que pode refletir em dificuldades de escrita, atenção, sequência lógica e aprendizagem”, explicou.
Uso de telas e convivência
Outro tema abordado durante a palestra foi o impacto do uso excessivo de telas na infância.
Márcia Valéria Cruz ressaltou que a tecnologia faz parte da realidade das famílias, mas reforçou a importância do equilíbrio e das relações presenciais no desenvolvimento infantil.
“As brincadeiras, jogos e o contato com outras crianças e adultos são fundamentais para o desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo. Quando existe um adulto disponível para brincar, conversar e criar relações humanas, muitas vezes a criança nem pede a tela”, destacou.
A palestrante também falou sobre os desafios enfrentados pelos professores diante da neurodiversidade nas escolas, defendendo uma abordagem integrada entre educação, saúde e diferentes recursos pedagógicos.







